11/06/2013

O drama do status de relacionamento (da vida)



Em véspera do tão fadado (por um lado) e aclamado (por outro) Dia dos Namorados, mais do que o temor da solteirice, o que anda incomodando algumas pessoas é a complicação do não saber qual o real Status do SEU Relacionamento. Não, não to falando do Fecitruque não... é da vida real mesmo...

Pessoas se envolvendo, amigos com permissões, sexo com o(a) ex, rolo fixo, ficante, namorido, amante, casinho, noivorido, rolinho, pegação, paquerinha, namorinho, “se conhecendo melhor”, namorado, marido/esposa etc.

E o que fazer naquele momento que você não sabe qual o seu status? Será que na cabeça do outro isso está definido?

Sabe aquele momento que você sente que o relacionamento ta meio que caminhando pro namoro, mas ainda não é? (E se isso for apenas invenção da sua cabeça?) Não que você esteja esperando o bofe pedir em namoro de joelhos pro seu pai, né?! Encontros seguidos, mensagens de bom dia, saídas de fim de semana... mas ainda paira a dúvida: posso ligar a qualquer momento e convidar pra um programinha de namoradinhos? Dá pra perguntar qual o programa do sujeito no final de semana? E mais, perguntar se os programas te incluem ao não? (Na melhor das hipóteses você também consegue programar o seu fim de semana, né?!) Como leeedar com essa situação????

Porque essa história de ficar pendente do telefonema, sem saber se o cabra vai te ligar e chamar pra sair, ou ligar e combinar um programinha pra daqui a duas horinhas (e você ficar louca descabelando sem saber o que vestir, que perfume usar e qual sapato combina com o seu rímel...) mata qualquer mulher, né?!

E fazer planos pro tal Dia dos Namorados então??? Afff... haja paciência e autocontrole pra segurar a onda... porque no fundo no fundo, mesmo os que excomungam a data falando que e apenas mais um truque comercial pra vender etc. ficam felizinhos com um jantar à luz de velas, presentinhos e chamegos...

Ontem, uma amiga minha, muito linda e sábia, me disse pra esperar... porque, segundo ela: “Quem tem sempre tudo planejado, não dá espaço pras surpresas dos outros”. Esperarei... (e se não for amanhã, que seja na sexta, no sábado ou na semana que vem... o importante e ter a pessoa ao seu lado, né não?!?!)

Ah, e amanhã, tem GHOST - DO OUTRO LADO DA VIDA na Sessão da Tarde. E ainda bem que estarei trabalhando pra não ser obrigada a ver isso e cortar os pulsos com a faca de pão.

Daqui do alto das minhas dúvidas, desejo a todos um lindo dia dos que se amam, amaram ou amarão!

                

10/06/2013

Inspirações de Maria Bethânia

Aconselhamos dar o play ( foi a música que inspirou o texto) 



Eu já fui a outra.
E conheço sua dor e seu prazer.
Entre esses extremos, concluí que a dor é bem maior que o prazer... por isso saí dessa vida na qual entrei meio sem querer.
Aliás, quem é que escolhe deliberadamente ser a outra? Sinceramente, acho que muito poucas pessoas. Tem sempre um carma de outra vida, um tesão incontrolável, uma atração irresistível e, claro, uma conversinha fiada do bofe que faz a mulher topar ser a outra assim, meio sem querer...
E por mais que ela queira, não culpo a outra... não culpo porque a outra não trai ninguém. Quem trai é o bofe que tá pegando a outra. Tá cheio de homem casado não só dando sopa, como engajado em arranjar outra por aí. Homem achado não é roubado, ora essa!
Mas a verdade é que a outra, muitas vezes sofre. Sofre porque os amantes não fazem só sexo, fazem amor. E o amor pede almocinho, cineminha e pijama. A outra padece do excesso de sensualidade: não tem a chance de se mostrar de pijama sorrindo a cantar!
E é muito engraçado (e trágico!) o quanto a outra acredita em conversa fiada! Qualquer promessa descabida é um oásis pra quem ama. “Estou com ela só por causa das crianças, amor... mas quem eu amo é vc!” ou “Pensei em vc o tempo todo!” – o cara fala após voltar de uma viagem pela Europa com a família.
A “outra” sofre do complexo de musa: preterida, engole sapos, mas é sempre a inspiração maior do bofe, a que o faz dar aquela escapadinha da esposa pra ligar de madrugada “por não estar aguentando de saudade”, ou gastar todo o dinheiro do leitinho do filho em motéis caríssimos “porque você merece, meu amor”.

E tudo isso para as crianças não sofrerem. 

03/06/2013

Eu sou um covarde

No fundo é isso, eu sou um covarde.

Olho ao redor e todo mundo é bem mais corajoso do que eu.

Claro, eu nasci corajoso. Fui corajoso muito tempo. O que me fez covarde foi a vida.

É preciso muita coragem pra entregar toda a sua felicidade ao mercado de trabalho, a uma empresa, a uma carreira. Não sou corajoso o suficiente para entregar cem por cento da minha renda a um único emprego em tempo integral e não tenho a coragem de confiar em uma empresa que vai me demitir assim que for a decisão contábil mais acertada. 

Sou covarde porque tenho abandonado cada vez mais minhas necessidades materiais. Me desfaço de coisas que sempre carreguei, por medo de continuar carregando. Livros, filmes, músicas, vão embora, porque tenho medo de um dia pesar demais. Móveis, roupas, opiniões, qualquer âncora eu evito. Porque tenho esse medo de afundar na tempestade. Meu medo me levou a covardia de ser mais generoso com o pouco que tenho, ao invés da coragem de guardar tudo pra empreender.

Não tenho a coragem de projetar meu valor de homem num carrão, num celular ou numa tv fantástica. Piso na grama molhada porque tenho medo.

E não tenho sequer a coragem de viver de acordo com as efêmeras e conflitantes opiniões e expectativas dos outros. 

Tenho medo. Respirar e ter sangue correndo nas veias é pouco. Cada passo é um avanço de responsabilidade minha, de mais ninguém. Os arroubos ou culpas também.

Minha covardia me impede de me conter. Coloco energia sexual em tudo. Trepo com meu trabalho, família, amigos, viagens. Não o coito, mas a mesma disposição, o mesmo feeling, o mesmo instinto. O mesmo prazer.

Mas eu também sou um covarde porque meu amor não transcende. É amor de bicho. Carinho com a ponta do nariz, cheiro, mordida, unhas cravadas na pele, tapa, gemido no ouvido, língua percorrendo o corpo. É amor de pele. De pêlo. De abraço, calor e aconchego.

E não tenho a coragem de depositar toda minha subjetividade e afeto em uma única e exclusiva parceira pra vida toda. Meu medo é que a vida toda seja muito longa. Ou o único muito pouco.

Tenho medo de ser guardião da moralidade e do correto. É muito pra mim, é muito difícil. Então eu aprecio o medíocre, o esplendoroso, o sombrio, o pitoresco, o belo, o misterioso, o hediondo. Tenho medo de perder meu tempo com justificativas demais.

Sou um fracasso porque lambo minhas próprias feridas ao invés de esperar pelo sopro cortês de alguém.

No fundo é isso, eu sou um covarde. Corajosos são vocês.

Publicado originalmente no Blog - O inimigo do bom é o melhor
Texto - Thiago Carvalho